Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

 

Atenção: este post contém spoilers do filme The Reader! Portanto, uma óptima razão para perderem 2 minutos a lê-lo em vez de 2 horas a ver o filme.
 
 
            
 
The Reader conta a história de Michael Burk, um jovem de 15 anos que conhece uma mulher mais velha enquanto está a vomitar. Michael e Hanna acabam por ter um caso amoroso com tanto sexo como sessões de leitura. Hanna Schmitz (Kate Winslet) além de ser meio-pedófila é também analfabeta. Um dia, foge de Michael e decide candidatar-se a um emprego como guarda num campo de concentração nazi. Michael, agora estudante de Direito, volta a revê-la mais tarde quando esta está a ser julgada por crimes de guerra. Hanna não quer passar pela humilhação de revelar em tribunal que não sabe ler e acaba com uma sentença de prisão perpétua.
 
Posto isto, tenho dificuldades em entender como é que The Reader está nomeado para "Melhor Argumento Adaptado". Assentava-lhe que nem uma luva era a nomeação para "Argumento Original".
 
A propósito, tenho aqui uma ideia para um filme. Já ando a trabalhar na estória quase há 5 minutos e a trama está a ganhar forma. Deixo aqui a sinopse caso alguém queira apostar nele.
 
Título: O Ladrilhador
Sinopse: Ramiro é um ladrilhador vesgo que se apaixona pela mulher errada. Maria de Lurdes só tem olhos para Ramiro, Ramiro só tem um dos olhos para Maria de Lurdes. O problema é que esta é casada com Teodoro, um ex-PIDE mau como as cobras que tem um quiosque em Arganil. Ramiro disposto a tudo para ficar com Maria de Lurdes, decide matar Teodoro. O plano corre mal, Ramiro é apanhado pela polícia e condenado a 20 anos de cana. Mas o amor ultrapassa qualquer obstáculo. É por isso que Maria de Lurdes ainda hoje continua a enviar todas as semanas para a prisão, revistas e maços de tabaco. FIM.
 
Depois digam-me alguma coisa.
 
A nomeação de Kate Winslet para "Melhor Actriz" também não deixa de ser original. Creio que é a primeira vez que a Academia nomeia uma mulher que está nua em 47% das cenas da película (estive a contar). À parte disso, o seu desempenho passa por estar sentada a ouvir o jovem (e mais tarde o adulto) Michael, a ler para ela ou sentada no tribunal a ouvir o juiz e invariavelmente a responder "sim" e "não", naquilo que considero uma interpretação bastante versátil. Depois de cinco nomeações falhadas, tudo se conjuga para receber o seu primeiro Oscar.
 
Temos ainda Ralph Fiennes a fazer de Ralph Fiennes. Começo a ficar habituado a ver o Ralph Fiennes a fazer dele próprio porque já o vi a fazer este personagem 14 vezes (estive a contar). O angustiado Fiennes limita-se a gravar a sua voz numas cassetes, a ler os livros que já tinha lido enquanto jovem, à mulher mais velha com quem teve um caso e que agora não tem coragem de ver. Podem não ser momentos de cinema muito excitantes mas também não deixa de ser verdade que Fiennes pode ser considerado o precursor dos audiolivros.  
 
Classificação: PPPP
 
 
P Mau
PP Não Satisfaz
PPP Satisfaz
PPPP Satisfaz Bem
PPPPP Satisfaz Plenamente
 
 
Se assim se justificar, e até à entrega dos Óscares de Hollywood, mais recensões cinematográficas podem surgir aqui.
 
 
 
 


publicado por Gervásio às 17:17 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

 

Corrijam-me se estiver enganado: urge vir dar o destaque sociocultural que os tremoços merecem. Só quem anda cego é que não se apercebe que o tremoço é um símbolo nacional. Aliás, era da mais elementar justiça ter uns quantos tremoços na bandeira portuguesa. A verdade nua e crua é que na nossa bandeira consta imensa tralha que não diz nada a ninguém.   Assim de repente, estou-me a lembrar de cinco escudetes azuis e vinte cinco besantes de prata. Não eram necessárias grandes alterações: alguns destes últimos podiam ser amarelos e já passavam por tremoços.  Aliás, agora que se inicia a pré-campanha para nova legislatura, gostava que os diversos partidos fizessem constar este tema nos seus programas eleitorais. Numa época em que as diferenças entre as forças políticas são tão ténues, os tremoços podem fazer toda a diferença. “Eu até era para votar no PS mas não os ouvi dizer uma única palavra sobre tremoços. Comigo não contem.”
 
Os tremoços estão em inúmeros momentos da nossa História. Não nos esqueçamos que foi à volta de mesas com tremoços e imperiais que os nossos intelectuais redigiram manifestos, que poetas escreveram obra imortal, que militares conspiraram contra a ditadura, que adeptos de futebol se envolveram nas mais acaloradas discussões sobre arbitragem. Mais: os tremoços iam nas nossas caravelas para ajudar a combater o escorbuto. Bom, se não iam, foi um erro tremendo como está mais que provado.
   
Não é o sabor do tremoço que nos cativa. Se me perguntarem, nem sei bem se o aprecio por aí além. A nossa relação com os tremoços ultrapassa os caprichos das papilas gustativas. Valem pelas ligações que ajudam a criar. São o mote para outra cerveja e dois dedos de conversa. E outros dois dedos para os espremer da casca. Valem muito mais pelo que entretêm. Ajudam a matar o tempo. Ajudam a enganar a fome. Não fazem distinção entre classes. Se há quem goste de mencionar que “os tremoços são o marisco dos pobres”, já eu prefiro ver o marisco como os tremoços dos ricos (que não sabem o que é bom). Isto para não falar da companhia que fazem. Até quando uma pessoa pouco ou nada tem a dizer à outra, o tremoço surge para substituir o vazio incómodo. Quantas e quantas famílias nunca os dispensam nos seus passeios domingueiros? Estaciona-se o carro junto ao mar, a esposa faz crochet e o marido demora-se com o saco dos tremoços a ouvir o relato de futebol. 
 
Eu tenho um sonho. Neste universo do tremoço, falta-nos talvez o vendedor de tremoços a calcorrear as nossas praias no Verão. “Olhó tremoço fresquinho. Olhóóó tremooooço. É para a moça e para o mooooço!” 
 
 Querem mais uma razão para os tremoços nos dizerem tanto enquanto povo? É simples: nós portugueses, gostamos de tudo o que nos é servido num pires. O café, o abatanado, o folhado, o amendoim salgado, o croquete, o pastel de bacalhau, a pevide. A pevide. Essa grande companheira do tremoço. Os dois juntos fazem inevitavelmente um par bem português. E só nós lusitanos sabemos reconhecer os nossos iguais. Tenho observado que não há estrangeiro que saiba comer tremoços. Comem-nos com a casca (não que não se possam assim) mas porque não interiorizaram o conceito. E, por mais que se esforce, também não há estrangeiro que consiga descascar pevides sem as partir todas. Lá está: descascar pevides é uma arte portuguesa. Temos a arte do vidro, a arte do azulejo e a arte de descascar pevides. Quanto mais nórdico e rico for o país de origem do turista, menos capacitado está para  se desenvencilhar com pevides. É assim que eles têm feito avançar a economia. Enquanto nós passamos tardes em esplanadas a descascar pevides, eles estão a dar o litro. Agora pergunto eu: mas o que é que isso importa se as pevides estiverem bem cozidas e estaladiças?
 
Depois de ter levado a cabo um intenso estudo, estou em condições de anunciar que identifiquei pelo menos três técnicas distintas para separar a casca da pevide. Para melhor compreensão, imaginem a pevide como um pequeno barco de recreio. Estas são as abordagens:
 
Técnica I – A mais elementar. Ideal para crianças a partir de 8 anos. Com a unha, lasca-se o casco a bombordo e depois a estibordo. Desta forma a pevide pode ser removida facilmente.   
Técnica II – parte-se a proa com um golpe certeiro e puxa-se a pevide.
Técnica III – A técnica que requer mais técnica. Comprime-se os cascos laterais uniformemente abrindo uma fenda para remover a pevide. Nota: Não experimentar esta técnica no café se não for um profissional!
 
Além dos mini-dicionários e dos CD’s com frases e expressões essenciais para um estrangeiro se desenrascar em Portugal (“Bom dia”, “Diga-me as horas por favor”, “O hotel tem ar condicionado?”, “Minha senhora, quanto leva por um felácio?”), não seria mal pensado criar uns workshops rápidos onde se ensinasse a debulhar pevides. Não há nada pior do que visitar um país e não estar preparado para se envolver na cultura local. Ah pois, eu quando for à Finlândia também alinharei numa daquelas saunas mistas que às vezes descambam para a confusão.
 
I rest my case.
 
 


publicado por Gervásio às 17:03 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

 

Porque é que o Maradona vem observar o Di Maria?
Porque o Di Maria joga encostado à linha.
 
À chegada a Lisboa um jornalista perguntou a “El Pibe” se queria deixar algum conselho para os jovens. Dieguito respondeu: “Antes de comprarem cocaína façam um seguro contra todos os riscos”.
 
Armando Maradona recusou por diversas vezes ser treinador do seu país. O que o levou a aceitar agora foi ter descoberto entretanto que só os jogadores são obrigados a fazer testes anti-doping... 
 
Maradona recusou tratamento especial no Estádio da Luz. Em vez de ficar instalado na bancada VIP, mostrou preferência por um lugar na bancada Coca-Cola. Mas do lado esquerdo!
 
Contaram-me que o Rui Costa quando recebeu o Maradona no estádio lhe perguntou se se lembra do Eusébio. Ao que o Maradona respondeu: “Eh pá Rui, assim de repente não estou a ver. Tive uma branca.”  
 
 
Como se sabe, Maradona cancelou a visita ao Estádio do Dragão. A explicação é que, segundo o próprio, passou metade da sua vida a ser perseguido por um dragão azul que cuspia bolas de futebol e dançava o tango mas agora está a tentar mudar de vida.
 
E a verdade é que Maradona está mesmo em recuperação. Se assim não fosse, não estaria com certeza a passear pela Europa quando está a acontecer o rally Dakar na Argentina: o que não falta por lá é pó.
 
 
 


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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

 

Atenção: Este post pode conter linguagem capaz de ferir a susceptibilidade de quem entra neste blog pela primeira vez. Saia imediatamente - ou habitue-se.


Como deve ser do conhecimento de todos, há já algum tempo que a Assembleia da República (AR) está em obras. O que eu gostaria muito de saber é se esta situação veio criar constrangimentos no dia-a-dia do parlamento. Isto é, como é que será a relação dos homens das obras com as deputadas. Estatisticamente haverá menos deputadas a ir de saia para o emprego? Será que os pedreiros até na AR mantêm os seus hábitos enraizados? Não posso deixar de imaginar que entre a bucha da manhã e a primeira mini, de cima de um andaime, vai saindo um ou outro piropo mais atrevido.


- Maria de Belém, és pouco boa, és.

-  Ai gostas da direita? Anda cá que tenho aqui uma!

- Oh doutora, chegue-se aqui à bancada do PP que tem direito a uma
sessão parlamentar completa!

- Ana Drago, ande cá que eu não a estrago.

- Acredita no amor à primeira vista ou tenho que votar em si outra vez?

- Exa. Sra. Dra. Marta Rebelo, quer metê-lo?

- Deviam aprovar um decreto lei para proibir deputadas tão boazudas!

 

É reconfortante pensar que pode haver finalmente gente no hemiciclo a  subir o nível do discurso.



publicado por Gervásio às 23:38 | link do post | comentar

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Um avé ao arrebol

 

   Sim, sim, pode não existir o pecado do lado de baixo do Equador. Mas na Escandinávia as pessoas também não se enrolam menos, nem se sentem mais culpadas por causa disso. A verdade é que tanto o calor como o frio dão tesão. As temperaturas intermédias também. É como a cor da capa do toureiro: é irrelevante. O que irrita o touro é haver ali um homenzinho de lantejoulas aos gritos e saltinhos.

   No entanto, o tesão do calor é indolente; é uma Maria-vai-com-as-outras. O sol bate na braguilha e a ideia logo se forma na cabecinha. Para mais, andamos todos nus e os anúncios têm sempre beldades risonhas e brincar com mangueiras e cerejas.

  Já este frio é amigo de um tesão mais indómito. Criando-se contra os elementos, debaixo de escorregadios edredons, parece rir-se da massa de ar polar que procura cercá-la.  Tem algo de Jack London; das taigas.

     Os enrolanços a  esta  temperatura  produzem o  mais aconchegador  de todos os calorinhos humanos. Levanta-se um pouco a tenda de lençóis e cobertores e é um prazer (e uma recompensa) soltar umas ondinhas do efeito-estufa no seu melhor.

   Onde antes havia só frio e gelo – aqueles plantígrados e ungulados pés com que me alcançaste foram recuperados de algum mamute? – existe agora um quentinho sustentável e amigo do ambiente, a que os ingleses chamam afterflow e a que nós deveríamos chamar arrebol.

   A suadeira pós-enroladeira do Sul e do Verão e do Chico Buarque bem pode esperar.

 

Miguel Esteves Cardoso in Público. 9 Janeiro 2009



publicado por Gervásio às 13:03 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

 

É inquestionável, a chegada em massa da Internet veio provocar uma tremenda revolução social e cultural. Estamos perante uma nova mudança de paradigma. Graças à generalização da World Wide Web, atingimos mais um patamar da evolução humana: do Homo sapiens ao Homo sentadus. (Não há nenhuma conotação homossexual na nomenclatura Homo sentadus. Como não havia em Homo erectus - se bem que este último daria um excelente nome para um bar gay).

 

Bom, como o próprio nome indica, nesta fase, os humanos prescindem o mais possível da sua postura erecta e bípede. Durante grande parte do seu dia têm o rabo numa cadeira e adoptam uma posição que lhes permita ter os olhos no mesmo plano do ecrã do computador. Os seus membros superiores adoptam invariavelmente um ângulo de 90º para melhor dominarem as teclas e os seus dedos foram-se tornando cada vez mais ágeis e velozes no layout QWERTY. Porque só assim é possivel bater record de pontos em jogos de andar aos tiros.

 

Dominado que está o raciocínio e a inteligência prática, é chegado o tempo do Homo sentadus deixar tudo isso de lado e ficar apenas na converseta. Ao que sei, há mesmo quem garanta que presentemente é possível comunicar à distância através de evoluídos sinais gráficos: ;) =) :p ou termos tão complexos como,  “LOL”, “ROTFL” “axo”, “kero”,“bjs”, “ctg”, “mimux” e por aí fora. 

 

O Homo sentadus é um ser sedentário. O habitat natural predilecto é o seu escritório ou o seu quarto. Raramente se sente impelido a sair destes espaços fechados a não ser por motivo de força maior (deslocar-se a uma loja de informática para reparar o computador, ir a uma conferência de fãs da Guerra das Estrelas). Estamos a falar de uma espécie eminentemente anti-social que prefere estar sozinho, fechado entre quatro paredes, a comunicar com outros da sua espécie (que nunca viu mais gordos e talvez nunca venha a ver), do que conviver pessoalmente com familiares e amigos.   

 

Este estágio não se caracteriza pelo aumento da capacidade cerebral, traduz-se sim, pelo aumento da competência para apreender e armazenar um sem número de informações totalmente desnecessárias. Nunca o ser humano teve acesso a tanto que interessa tão pouco. A propósito, você sabia que o isqueiro foi inventado antes do fósforo? Ainda está por explicar as razões que levam o Homo sentadus a nunca se fartar de pesquisar conteúdos inúteis e vogar em sites que não interessam para nada. A pulga salta 350 vezes sua altura, o que equivale a uma pessoa dar um pulo igual à largura de um campo de futebol… Curioso, não é?

 

Enquanto o Homo sapiens se dedicou a fabricar ferramentas e todo o tipo de objectos que lhe vieram à cabeça, desde penicos a reactores nucleares, passando por dicionários, televisores e clipes, o Homo sentadus aproveita muito pouco do produzido pelo seu antecessor e utiliza como únicos utensílios um rato e um teclado.  E também um ou outro disco externo para poder  armazenar mais música,  filmes e  séries  descarregadas ilegalmente.

 

Não necessita de caçar ou pescar para se alimentar, com dois ou três cliques, em pouco tempo tem a comida toda de que necessita, entregue à porta. Muitos dos exemplares desta nova vaga de Homens, também não revelam particular interesse na procriação. Mostram-se bastante mais propensos a ver pornografia on-line, espreitar raparigas em webcams e coleccionar filmes hardcore (1º escalão). 

 

Na transição do Homo sapiens para o Homo sentadus a selecção natural ditou que só os mais fracos evoluiriam. Enquanto os mais robustos e dinâmicos praticavam desporto, viam a luz do dia e seduziam raparigas, os mais tímidos, introspectivos e/ou caixa-de-óculos, começavam a jogar no seu Spectrum, a aprender MS_DOS e a lançar a escada para uma vida dedicada à adoração do computador pessoal. O homem moderno tem um computador moderno. O homem moderno está em permanecia ligado à Internet. Excepto quando está ligado à boneca insuflável. 

 

Os mais incautos, podem ser levados a pensar que houve uma inversão na selecção natural. “Por esta é que o Darwin não estava à espera, hem?”, exclamarão. Não é bem assim. Simplesmente, após tantas e tantas gerações de Homens empreendedores a andar com isto para a frente, era imprescindível sentar-nos por um bocado para contemplar a vida a passar num ecrã...



publicado por Gervásio às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

 

 

Gostaria hoje de vos falar de um assunto que me incomoda e perturba bastante. O acordeão. Incomoda e perturba bastante sobretudo quando estou prestes a adormecer. E pior ainda é quando se juntam dois acordeonistas ao despique e a acelerar no instrumento que nem uns tresloucados. Mais valia espetarem-me logo com uma cavilha em cada ouvido que era com certeza uma experiência bem menos dolorosa.

 

É pra mim um mistério haver indivíduos que suportam o som de um acordeão. Não me parece humanamente possível. O acordeão não só tem o som mais incomodativo do universo como só pode ser responsável pela maior taxa de suicídios entre pessoas de bom-senso que têm o azar de ir parar a festas populares e não levar viatura própria. Não me interessa a História do Acordeão que se conta - que deve ser bem bonita e vir na Wikipédia e tudo - o que importa aqui realçar é que falamos de um instrumento musical que só pode ter sido inventado pelas mãos do próprio Belzebu.  Deus: harpas. Diabo: acordeões (até o plural é um inferno).

 

Mas dizia eu, o Demónio criou o acordeão porque achava que ainda não existiam coisas suficientes para se odiar - lembro que na altura ainda não existia spam nem as Tardes da Júlia. As palavras que terá preferido no momento da concepção do acordeão foram, e passo a inventar a citação, “Isto não é um piano, não é bem uma sanfona nem um fole para soprar brasas nem nada, querem lá ver que inventei o primeiro instrumento musical mutante? Espera lá, esta coisa até produz um som capaz de aborrecer um ser humano em coma. Bingo!”

 

Por tudo isto é que dizem por aí à boca pequena que o Quim Barreiros quando era adolescente fez um pacto com o Diabo. Ao que parece o jovem Joaquim era bastante imberbe mas tinha o sonho de exibir uma bigodaça valente. Daí que propôs trocar a sua alma por um bigode farfalhudo. Ao que o Diabo terá respondido: “Não quero a tua alma pra nada que ainda ontem caiu um avião cheio de advogados. Vais é andar uma vida inteira a trabalhar para mim que a malta das tunas não pode estar em todo lado. Ah, e já a agora levas um chapéu na cabeça que eu cá também tenho direito a rir-me um bocado.” Não sei a estória se passou exactamente assim, foi o que me contaram.

 



publicado por Gervásio às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (10)

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

 

 

O desafio natalício-colectivo da Ana Martins a 7 autores foi "O Natal já não é o que era", ao qual eu acrescento "ou será apenas mais do mesmo?".  Aqui está a minha humilde contribuição:
 

 

 

UM CONTO DE REIS ALTERNATIVO

 

 

Era uma vez, há 2009 anos atrás, três Reis Magos. Os Reis Magos eram Melchior, Baltazar e o outro. O outro chamava-se Gaspar mas é frequentemente apelidado de "o outro" porque nunca ninguém se lembra do nome dele e se não acreditam façam o teste com os vossos amigos. Melchior era de longe e de longe o mais velho dos três. Tinha longas barbas e cabelo branco e mais de 70 anos de idade. Gaspar era jovem e robusto com os seus vinte anos. Baltazar era de tez negra, barba cerrada e gostava de usar boné ao contrário. Um dia, uma estrela apareceu-lhes a anunciar o nascimento do Messias.

 

Melchior: Encham-se de júbilo, já nasceu o Menino! Vamos partir para o adorar.  Aleluia, aleluia!

Gaspar: Eh man, ganda noia. Já tinha cenas combinadas para a passagem-de-ano! Ia passar o reveillon a Ibiza que é sempre a bombar.

Melchior: Encham-se de júbilo, já nasceu o Menino! Vamos partir para o adorar. Aleluia, aleluia!

...

Baltazar: Estemos que eslevar uns espresentes, pá.

Melchior: É verdade, não podemos aparecer de mãos a abanar. Se bem que para mim não é coisa fácil.

Gaspar: Fónix. Não tenho jeito nenhum pra prendas. Tens alguma ideia fixe, meu?

Melchior: Eu levar-lhe-ei ouro! A gaita é que é ano de crise. Tive que esperar pela época de saldos para comprar o ouro com 50% de desconto.

Gaspar: Prontos, eu levo incenso, man. É bueda cool e dá alto ambiente na cabana com umas velas e assim, tás a ver?

Baltazar: Eu esvou a osferecer um espanta-espirítos, pá. Fica esbonito por cima da esmangedoura dos bebé. 

Gaspar: Isso é  totil estupido, man.

Baltazar: Esparece-te estúpido? Então eslevo esmirra, pá. Esvamos pôr-nos à estrada, pá.

Melchior: O que é um espanta-espíritos? Onde é que é pra ir? Alguém viu as minhas calças?

 

E foi assim que partiram, guiados pela estrela que lhes indicou o caminho até ao remoto local onde nascera Jesus. Esta estrela, tornou-se assim no primeiro GPS da História da Humanidade.

 

 

 

Leiam também os textos dos outros 7 autores: Ana Martins (Autora da ideia), Ana Paula Motta, Isa Silva, João Moreira de Sá, Luís Bento, Tito de Morais e Vasco Catarino Soares.



publicado por Gervásio às 18:38 | link do post | comentar | ver comentários (9)

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