Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

 

Apesar de haver quem considere que os inquéritos de Verão são a principal razão para se chamar silly season a esta época do ano, eu adoro-os. Admiro sobretudo a competência dos jornais e revistas cor-de-rosa em conseguir com que figuras públicas respondam a perguntas disparatadas. Quero aqui lembrar duas em particular que se atravessam constantemente na minha memória e que, lamentavelmente, estão a cair em desuso.   
 
Pergunta 1: Que livros levaria para uma ilha deserta? 
 
Chamem-me fútil se quiserem, no entanto, se por uma série de acasos infelizes tivesse o azar de ir parar a uma ilha deserta, estaria sobretudo interessado em não morrer. Peço que não me levem a mal mas perante uma situação de catástrofe pessoal, a literatura não estaria entre as minhas prioridades imediatas. Não sei como é com os outros mas, a luta pela sobrevivência, a mim, retira-me um pouco a concentração na leitura. Custa-me até, entrar na linha de pensamento, “Bom, não há água potável, alimentos, estou exposto a toda a espécie de doenças, ainda bem que trouxe comigo o Guerra e Paz, o Cem Anos de Solidão e a Madame Bovary”. Quanto muito, gostaria de ter comigo um livro que o meu pai comprou aqui há uns anos nas Selecções do Reader’s Digest, “Como Fazer Quase Tudo”. É uma espécie de Manual do MacGyver para iniciados, com mais de 1000 soluções para problemas práticos. Foi com ele que aprendi gamão, como fazer panquecas e dar nós de gravata. Com certeza haverá lá dicas que me afastariam dos pensamentos suicidas.    
 
Pergunta 2: Com que figura histórica gostaria de jantar? 
 
Ninguém se furta a responder a esta. Mesmo sabendo-se que apontar uma figura histórica que já tenha falecido será apenas, estúpido. Quanto muito, eu seria capaz de escolher uma celebridade que tenha morrido há meia dúzia de minutos. Todavia, não creio que a refeição me caísse lá muito bem.  
Os mais alarves, escolhem a Madre Teresa da Calcutá. Na expectativa de que ela esteja a jejuar e sobre mais comida. Uma percentagem ligeiramente maior, responde o Bill Gates. A esperança é que ele pague o jantar. Agora, seguramente, mais de três quartos dos inquiridos respondem Jesus Cristo – pode não ser bem assim mas dá-me jeito.  
 
Mesmo recorrendo a um rebuscado e complexo exercício de suspensão da realidade, não sei que tipo de jantar é que estão à espera de ter com Jesus. Não me sentiria lá muito confortável a estimular diálogos com frase do género, “Jesus, passe-me o galheteiro, sefáxavôr”, “Senhor, vai umas azeitonas?”. 
 
Então, qual é  que será a grande motivação? Ver o Filho de Deus a usar faca e garfo? Saber se ele fala com a boca cheia? Não creio que a fé  de alguém possa voltar a ser a mesma depois de ouvir o Messias dizer ao empregado de mesa, “Olhe, traga-me um bom cozido à portuguesa que a minha última refeição foi há mais de 2000 anos e estou esganado com fome!”. 
 
Só posso compreender a escolha de Jesus Cristo para jantar com o desejo de se tirar a limpo algumas das histórias contadas na Bíblia. Desenganem-se, o mais certo seria Jesus assumir uma postura idêntica à dos políticos e dirigentes desportivos. 
 
- Ainda que mal Lhe pergunte, é verdade que caminhou sobre as águas?
- Não confirmo nem desminto.
- E aquela cena de ressuscitar e subir aos céus?
- Sobre isso, remeto-o para a leitura dos evangelhos. Nada mais tenho a acrescentar.
- Andam por aí  a dizer que era casado com a Maria Madalena, é verdade?
- Não falo sobre a minha vida pessoal.
- Quem comer deste pão e beber deste vinho viverá para sempre?
- Nesta fase do processo de inquirição não vou fazer mais comentários sobre o assunto.
- Senhor, esta farinheira é ou não é divinal?
 
 
 


publicado por Gervásio às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 4 de Julho de 2009

 

Hoje podem ler um post meu neste incontornável blog de música: Xuke Box
 
Quero aqui deixar um obrigado do fundo dos meus aurículos e dos meus ventrículos ao convite proposto pelo mestre musical R2D2 (e Companhia) para escolher uma música que me diga algo e escrever um post sobre ela. Não sei se eles já se arrependerem de me ter desafiado mas agora é demasiado tarde. O resultado foi este aqui.
 
 
 
 


publicado por Gervásio às 19:16 | link do post | comentar

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