Quinta-feira, 08.01.09

 

 

Gostaria hoje de vos falar de um assunto que me incomoda e perturba bastante. O acordeão. Incomoda e perturba bastante sobretudo quando estou prestes a adormecer. E pior ainda é quando se juntam dois acordeonistas ao despique e a acelerar no instrumento que nem uns tresloucados. Mais valia espetarem-me logo com uma cavilha em cada ouvido que era com certeza uma experiência bem menos dolorosa.

 

É pra mim um mistério haver indivíduos que suportam o som de um acordeão. Não me parece humanamente possível. O acordeão não só tem o som mais incomodativo do universo como só pode ser responsável pela maior taxa de suicídios entre pessoas de bom-senso que têm o azar de ir parar a festas populares e não levar viatura própria. Não me interessa a História do Acordeão que se conta - que deve ser bem bonita e vir na Wikipédia e tudo - o que importa aqui realçar é que falamos de um instrumento musical que só pode ter sido inventado pelas mãos do próprio Belzebu.  Deus: harpas. Diabo: acordeões (até o plural é um inferno).

 

Mas dizia eu, o Demónio criou o acordeão porque achava que ainda não existiam coisas suficientes para se odiar - lembro que na altura ainda não existia spam nem as Tardes da Júlia. As palavras que terá preferido no momento da concepção do acordeão foram, e passo a inventar a citação, “Isto não é um piano, não é bem uma sanfona nem um fole para soprar brasas nem nada, querem lá ver que inventei o primeiro instrumento musical mutante? Espera lá, esta coisa até produz um som capaz de aborrecer um ser humano em coma. Bingo!”

 

Por tudo isto é que dizem por aí à boca pequena que o Quim Barreiros quando era adolescente fez um pacto com o Diabo. Ao que parece o jovem Joaquim era bastante imberbe mas tinha o sonho de exibir uma bigodaça valente. Daí que propôs trocar a sua alma por um bigode farfalhudo. Ao que o Diabo terá respondido: “Não quero a tua alma pra nada que ainda ontem caiu um avião cheio de advogados. Vais é andar uma vida inteira a trabalhar para mim que a malta das tunas não pode estar em todo lado. Ah, e já a agora levas um chapéu na cabeça que eu cá também tenho direito a rir-me um bocado.” Não sei a estória se passou exactamente assim, foi o que me contaram.

 



publicado por Gervásio às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (10)

Terça-feira, 06.01.09

 

 

O desafio natalício-colectivo da Ana Martins a 7 autores foi "O Natal já não é o que era", ao qual eu acrescento "ou será apenas mais do mesmo?".  Aqui está a minha humilde contribuição:
 

 

 

UM CONTO DE REIS ALTERNATIVO

 

 

Era uma vez, há 2009 anos atrás, três Reis Magos. Os Reis Magos eram Melchior, Baltazar e o outro. O outro chamava-se Gaspar mas é frequentemente apelidado de "o outro" porque nunca ninguém se lembra do nome dele e se não acreditam façam o teste com os vossos amigos. Melchior era de longe e de longe o mais velho dos três. Tinha longas barbas e cabelo branco e mais de 70 anos de idade. Gaspar era jovem e robusto com os seus vinte anos. Baltazar era de tez negra, barba cerrada e gostava de usar boné ao contrário. Um dia, uma estrela apareceu-lhes a anunciar o nascimento do Messias.

 

Melchior: Encham-se de júbilo, já nasceu o Menino! Vamos partir para o adorar.  Aleluia, aleluia!

Gaspar: Eh man, ganda noia. Já tinha cenas combinadas para a passagem-de-ano! Ia passar o reveillon a Ibiza que é sempre a bombar.

Melchior: Encham-se de júbilo, já nasceu o Menino! Vamos partir para o adorar. Aleluia, aleluia!

...

Baltazar: Estemos que eslevar uns espresentes, pá.

Melchior: É verdade, não podemos aparecer de mãos a abanar. Se bem que para mim não é coisa fácil.

Gaspar: Fónix. Não tenho jeito nenhum pra prendas. Tens alguma ideia fixe, meu?

Melchior: Eu levar-lhe-ei ouro! A gaita é que é ano de crise. Tive que esperar pela época de saldos para comprar o ouro com 50% de desconto.

Gaspar: Prontos, eu levo incenso, man. É bueda cool e dá alto ambiente na cabana com umas velas e assim, tás a ver?

Baltazar: Eu esvou a osferecer um espanta-espirítos, pá. Fica esbonito por cima da esmangedoura dos bebé. 

Gaspar: Isso é  totil estupido, man.

Baltazar: Esparece-te estúpido? Então eslevo esmirra, pá. Esvamos pôr-nos à estrada, pá.

Melchior: O que é um espanta-espíritos? Onde é que é pra ir? Alguém viu as minhas calças?

 

E foi assim que partiram, guiados pela estrela que lhes indicou o caminho até ao remoto local onde nascera Jesus. Esta estrela, tornou-se assim no primeiro GPS da História da Humanidade.

 

 

 

Leiam também os textos dos outros 7 autores: Ana Martins (Autora da ideia), Ana Paula Motta, Isa Silva, João Moreira de Sá, Luís Bento, Tito de Morais e Vasco Catarino Soares.



publicado por Gervásio às 18:38 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Segunda-feira, 15.12.08

Pode parecer tarde demais mas tenho finalmente em minha posse a primeira imagem das tão faladas armas de destruição maciça iraquianas.

 

 



publicado por Gervásio às 18:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)

 

É um novo blog e um novo livro.
 
Literatura Very Light, o nome que escolhi. Ou o nome que me escolheu a mim. Fica bem dizer desta maneira. A verdade é queria chamar-lhe Geneticamente Fúteis mas lamentavelmente já alguém se tinha antecipado. Já o título Literatura Very Light tem naturalmente um sentido duplo. Pelo menos é o que me dizem, eu ainda não consegui descobrir. Talvez vocês me possam ajudar.
 
É um regresso. Depois de quase cinco anos no Bidé, senti uma certa saturação de escrever artigos sanitários, o que me fez andar mais ou menos afastado da blogosfera nestes últimos meses. Agora que está pronto e prestes a sair este meu terceiro livro (sim, já por três vezes consegui enganar editoras) achei  oportuno reiniciar na blogosfera um ciclo diferente. Respondo também assim ao apelo dos meus leitores (todos os 5) para que voltasse. Ficam avisados de que chego com imensa vontade de escrever disparates. Aqui darei conta das novidades, iniciativas e percurso desta obra de valor literário incalculável (ainda não sei o preço com IVA). Ao mesmo tempo, tenciono usar esta página para partilhar as minhas teorias de algibeira, as ideias fixas e as ideias soltas que me assombram, as dúvidas existenciais e outros humores. Isto é uma ameaça.
 
Lanço este very light no dia a seguir a um jornalista iraquiano ter lançado um par de botas à cabeça de W. Bush. De facto, esta última visita do ainda presidente americano ao Iraque não correu lá muito bem. Sobretudo, e em minha opinião, porque W. foi demasiado rápido a desviar-se do calçado voador. Espero que não haja aqui um estranho parelelismo cósmico e que este blog tenha mais sucesso, ou como diria a minha querida Princesa Sissi no prefácio, espero que este very light vos acerte em cheio.


publicado por Gervásio às 17:41 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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