Quinta-feira, 19.02.09

 

Gosta de conversar na Internet? Não passa sem uma piada? Já tem passado por mal-entendidos? O seu pesadelo pode estar a chegar ao fim!

 
Pois é, a Internet é uma óptima ferramenta para comunicar à distância mas também pode ser muito enganadora já que não há forma de saber o tom ou a entoação com que escrevemos. Ou seja, devido ao crescente contacto com pessoas que não nos conhecem assim tão bem e a troca constante de informação através de Messenger, redes sociais, comentários em blogs, chats ou Twitter, corremos o risco cada vez maior de nos interpretarem mal. É o preço a pagar por tentarmos ser engraçados muito mais vezes do que aquelas que seriam desejáveis.
 
Por vezes sinto uma sensação de mal-estar que me acompanha todo o dia. Sobretudo porque detesto toda e qualquer representação gráfica que se convencionou utilizar neste tipo de circunstâncias. Sou incapaz de escrever um LOL, tenho uma péssima relação com sorrisos amarelos e nem que a vaca tussa me apanham a teclar um ponto e vírgula e uma aspa.   
 
É por isso que prefiro expressar os meus humores por onomatopeias. Primeiro, porque são de interiorização universal, em segundo porque “onomatopeias” é uma palavra gira que já andava há imenso tempo para utilizar num texto, e depois, porque pode transmitir a sensação que nos debruçámos bastante sobre o assunto e sabemos do que estamos a falar.
 
Tenho para si, em exclusivo, um magnífico conjunto de cinco onomatopeias para qualquer situação do dia-a-dia virtual.
 
Ahahah – Quando escrevemos algo indiscutivelmente hilariante ou jocoso e estamos realmente felizes por o ter conseguido.
 
Exemplo: Deixei de ir ao casino quando descobri que lá, as únicas máquinas que dão sempre alguma coisa, são a máquina do tabaco e a máquina da imperial.
 
Eheheh – Quando queremos que o receptor perceba que acabámos de redigir uma piada e tememos que ele não o tenha percebido.
 
Ihihih – Quando dizemos algo carregado de ironia ou tremendamente sarcástico.
 
Exemplo:  A Dra. Manuela Ferreira Leite daria uma belíssima Primeira-ministra.
 
Ohohoh – Quando dizemos algo galhofeiro, bonacheirão ou somos o Pai Natal.  
 
Exemplo: A PJ diz que isto de sentar os meninos ao colo e prometer-lhes presentes é muito suspeito. 
 
Uhuhuh – Quando nos espantamos com a qualidade da graçola ousada, sinistra e/ou macabra que acabámos de proferir que até esbugalhámos os olhos.
 
Exemplo: Qual é a diferença entre um colete fluorescente e um GNR? O colete reflecte.
 
 
Nota: É recomendável escrever em duplicado ou triplicado qualquer uma destas fórmulas, caso pretenda reforçar a intensidade do chiste.
 
De que é que está à espera? Faça um favor a si próprio e passe a contar com estas fantásticas onomatopeias! Agora, por apenas meia dúzia de caracteres pode ganhar amizades para a vida. Não hesite, utilize JÁ! Eheheh


publicado por Gervásio às 12:02 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Sexta-feira, 09.01.09

 

É inquestionável, a chegada em massa da Internet veio provocar uma tremenda revolução social e cultural. Estamos perante uma nova mudança de paradigma. Graças à generalização da World Wide Web, atingimos mais um patamar da evolução humana: do Homo sapiens ao Homo sentadus. (Não há nenhuma conotação homossexual na nomenclatura Homo sentadus. Como não havia em Homo erectus - se bem que este último daria um excelente nome para um bar gay).

 

Bom, como o próprio nome indica, nesta fase, os humanos prescindem o mais possível da sua postura erecta e bípede. Durante grande parte do seu dia têm o rabo numa cadeira e adoptam uma posição que lhes permita ter os olhos no mesmo plano do ecrã do computador. Os seus membros superiores adoptam invariavelmente um ângulo de 90º para melhor dominarem as teclas e os seus dedos foram-se tornando cada vez mais ágeis e velozes no layout QWERTY. Porque só assim é possivel bater record de pontos em jogos de andar aos tiros.

 

Dominado que está o raciocínio e a inteligência prática, é chegado o tempo do Homo sentadus deixar tudo isso de lado e ficar apenas na converseta. Ao que sei, há mesmo quem garanta que presentemente é possível comunicar à distância através de evoluídos sinais gráficos: ;) =) :p ou termos tão complexos como,  “LOL”, “ROTFL” “axo”, “kero”,“bjs”, “ctg”, “mimux” e por aí fora. 

 

O Homo sentadus é um ser sedentário. O habitat natural predilecto é o seu escritório ou o seu quarto. Raramente se sente impelido a sair destes espaços fechados a não ser por motivo de força maior (deslocar-se a uma loja de informática para reparar o computador, ir a uma conferência de fãs da Guerra das Estrelas). Estamos a falar de uma espécie eminentemente anti-social que prefere estar sozinho, fechado entre quatro paredes, a comunicar com outros da sua espécie (que nunca viu mais gordos e talvez nunca venha a ver), do que conviver pessoalmente com familiares e amigos.   

 

Este estágio não se caracteriza pelo aumento da capacidade cerebral, traduz-se sim, pelo aumento da competência para apreender e armazenar um sem número de informações totalmente desnecessárias. Nunca o ser humano teve acesso a tanto que interessa tão pouco. A propósito, você sabia que o isqueiro foi inventado antes do fósforo? Ainda está por explicar as razões que levam o Homo sentadus a nunca se fartar de pesquisar conteúdos inúteis e vogar em sites que não interessam para nada. A pulga salta 350 vezes sua altura, o que equivale a uma pessoa dar um pulo igual à largura de um campo de futebol… Curioso, não é?

 

Enquanto o Homo sapiens se dedicou a fabricar ferramentas e todo o tipo de objectos que lhe vieram à cabeça, desde penicos a reactores nucleares, passando por dicionários, televisores e clipes, o Homo sentadus aproveita muito pouco do produzido pelo seu antecessor e utiliza como únicos utensílios um rato e um teclado.  E também um ou outro disco externo para poder  armazenar mais música,  filmes e  séries  descarregadas ilegalmente.

 

Não necessita de caçar ou pescar para se alimentar, com dois ou três cliques, em pouco tempo tem a comida toda de que necessita, entregue à porta. Muitos dos exemplares desta nova vaga de Homens, também não revelam particular interesse na procriação. Mostram-se bastante mais propensos a ver pornografia on-line, espreitar raparigas em webcams e coleccionar filmes hardcore (1º escalão). 

 

Na transição do Homo sapiens para o Homo sentadus a selecção natural ditou que só os mais fracos evoluiriam. Enquanto os mais robustos e dinâmicos praticavam desporto, viam a luz do dia e seduziam raparigas, os mais tímidos, introspectivos e/ou caixa-de-óculos, começavam a jogar no seu Spectrum, a aprender MS_DOS e a lançar a escada para uma vida dedicada à adoração do computador pessoal. O homem moderno tem um computador moderno. O homem moderno está em permanecia ligado à Internet. Excepto quando está ligado à boneca insuflável. 

 

Os mais incautos, podem ser levados a pensar que houve uma inversão na selecção natural. “Por esta é que o Darwin não estava à espera, hem?”, exclamarão. Não é bem assim. Simplesmente, após tantas e tantas gerações de Homens empreendedores a andar com isto para a frente, era imprescindível sentar-nos por um bocado para contemplar a vida a passar num ecrã...



publicado por Gervásio às 00:15 | link do post | comentar | ver comentários (7)

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